“Esperava que nos 30 minutos iniciais da sua intervenção fizesse uma pequena referência aos portugueses que residem na Madeira e nos Açores. Infelizmente, lamento esse facto, nem uma palavra”, criticou o deputado único do JPP, Filipe Sousa, na sua primeira intervenção no debate sobre o estado da nação, no Parlamento.

Filipe Sousa disse que a Madeira e os Açores “estão cansados de esperar”, depois da espera pela mobilidade aérea, a continuidade territorial e na revisão da Lei das Finanças Regionais.

Sobre esta lei, que define como os Açores e a Madeira se financiam, o deputado do JPP questionou o líder do Governo sobre os motivos para que se “empurre a sua revisão” para dezembro de 2027.

“Parece que o calendário da República anda sempre devagar quando toca a reconhecer efetivamente quais são os constrangimentos de nós, insulares”, considerou, pedindo que o Governo se comprometa com uma data que permita que haja uma nova Lei das Finanças Regionais em vigor no início de 2028.

Numa réplica curta, quando sobravam poucos segundos de intervenção ao primeiro-ministro, Luís Montenegro disse que todo o discurso inicial foi também para madeirenses e açorianos e que o Governo está a “trabalhar para todos os portugueses e de forma específica para aquelas que são as matérias das regiões autónomas”.

O primeiro-ministro referiu ainda que este Governo, no último Orçamento do Estado, fez “transferências extraordinárias de mais de 150 milhões de euros para a Madeira e mais de 200 milhões para os Açores para cobrir o pagamento da dívida” e compensar as perdas do fundo de coesão.

Para lá das questões autonómicas, Filipe Sousa afirmou que o estado da nação não se mede por sondagens, conferências de imprensa e anúncios, mas sim “pela vida real das pessoas”.

“Os portugueses não vão ao hospital à procura de um ‘PowerPoint’, vão à procura de um médico”, satirizou ainda, pedindo ao primeiro-ministro que diga “quando é que os portugueses vão sentir na sua vida a melhoria no SNS que o Governo anuncia nos jornais”.

Acompanhe aqui AO MINUTO o debate do Estado da Nação, que deverá ficar marcado pelos problemas enfrentados pelos professores na correção dos exames nacionais.

Notícias ao Minuto | 14:48 – 16/07/2026

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