“Não conhecemos ainda os contornos, mas o que aconteceu foi certamente grave, de uma seriedade inédita em décadas de democracia”, afirmou o deputado Rui Tavares em declarações aos jornalistas no Parlamento.
O anterior porta-voz do Livre lançou o desafio aos restantes partidos para que se comprometam a “banir de qualquer associação ao Parlamento” o responsável ou os responsáveis pela alegada invasão, caso tenham qualquer ligação a uma força política.
“Se foi deputado, jamais possa vir a ser candidato. Se é assessor ou funcionário, jamais possa continuar a trabalhar aqui”, propôs.
Rui Tavares defendeu que, a par da investigação judicial, “há conclusões políticas que têm de ser retiradas” e que “não pode haver sobre a casa da democracia e um órgão de soberania do país o labéu, a suspeita de haver alguém, quem quer que seja, assessor, funcionário, eventualmente deputado, que fosse capaz de fazer aquilo que aconteceu” há cerca de uma semana.
Na terça-feira de manhã, o Chega divulgou um vídeo nas redes sociais, alegando que o gabinete de André Ventura na Assembleia da República tinha sido invadido e remexido. A PJ esteve no local a fazer diligências. O líder do Chega disse terem desaparecido documentos relativos à comissão de inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da PJ e outros referentes ao gabinete do primeiro-ministro.
“É um compromisso que não é judicial, não é uma pena, mas é, do ponto de vista político, absolutamente essencial para que toda a gente veja quem é que tem a consciência absolutamente tranquila de dizer que qualquer pessoa que no grupo parlamentar A, B ou C esteja associada a tais acontecimentos é uma pessoa que não tem lugar nesta casa”, defendeu.
“Acredito que todos os grupos parlamentares o poderão dizer, porque se não o dissessem, então aí alguma coisa estranha se estaria a passar”, desafiou, considerando que “há crime” e a “vítima é a democracia em primeiro lugar”.
O deputado do Livre adiantou igualmente que vai pedir ao Conselho de Administração da Assembleia da República, na próxima reunião, que esclareça se as regras sobre o fecho das portas dos gabinetes “estavam ou não em vigor à data dos acontecimentos”.
“Além disso, no quadro do Conselho de Administração temos estado a discutir já há algum tempo o pedido por parte da secretária-geral a um grupo de trabalho da PSP e da GNR para melhorar as condições de segurança no Parlamento, trabalho esse ao qual o Livre tem dado sempre todo o seu apoio […] para que aumentem as regras de segurança nesta casa, onde há uma série de falhas e vulnerabilidades que são riscos à espera de acontecerem”, indicou.
O deputado adiantou que vai propor também na próxima reunião que as recomendações desse grupo de trabalho possam ser votadas de forma separada para que vão sendo implementadas o “mais depressa possível”.
Tavares considerou ainda que o assunto deveria ter sido referido hoje, na reunião da Comissão Permanente.
“Um órgão de soberania que é devassado, não importa que gabinete, que deputado, e que é devassado para produzir um efeito que beneficiaria diretamente o Governo, em qualquer país que se levasse a sério, isto provocaria uma crise de regime”, referiu.
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