“Sentimos, vemos, observamos no território do continente, que há uma grande instabilidade e uma grave precariedade precipitada por palavras que, do meu ponto de vista, foram imponderadas relativamente ao Governo Regional dos Açores, mas, naturalmente, aquilo que se passa nos Açores diz somente respeito aos açorianos”, afirmou o líder socialista.

José Luís Carneiro, que falava hoje de manhã em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no arranque da rota pela economia do mar, acrescentou que a Assembleia Legislativa Regional e os diferentes partidos “não deixarão de contribuir para a procura da estabilidade” política nos Açores.

“E o PS, por aquilo que sei, tem contribuído para que a estabilidade possa contribuir para o desenvolvimento da região. Vi mesmo na atitude do PS dos Açores a mesma atitude que tem existido no PS nacional em relação ao Governo da República”, afirmou.

E concluiu: “Nós somos pela estabilidade política, nomeadamente na República, mas é evidente que compete aos governos a quem o povo deu o poder para executar as políticas, ser o garante da estabilidade e garantir que essa estabilidade serve os interesses, neste caso da região, e no continente, os interesses do país. Deitar a toalha ao chão nunca é a melhor solução.”

Em 2020, o PS venceu as eleições legislativas nos Açores, mas perdeu a maioria absoluta e PSD, CDS-PP e PPM formaram uma coligação pós-eleitoral, colocando fim a 24 anos de governação socialista.

As eleições de 2024 foram antecipadas devido ao chumbo do orçamento da região e nesse ato eleitoral os três partidos concorreram coligados e venceram as eleições, ainda que sem maioria absoluta.

O acordo de coligação assinado em 2020 previa que os partidos se mantivessem coligados durante dois mandatos.

Numa entrevista ao ‘podcast’ da Antena 1 Política com Assinatura, em 28 de abril, José Manuel Bolieiro revelou que em 2028 o PSD concorreria sozinho.

“Vamos cumprir os nossos acordos. […] Sou cumpridor dos meus compromissos e da palavra dada, e, portanto, vou cumprir a palavra dada. A [atual] coligação pré-eleitoral vai até 2028, […] isso significa que, a partir de 2028, não há coligação pré-eleitoral. É o que foi acordado, é o que vai ser cumprido”, afirmou.

Posteriormente, no congresso do CDS-PP, em Alcobaça, o líder regional centrista, Artur Lima, assegurou que a hipótese de não haver coligação pré-eleitoral nas próximas eleições não incomodava o partido.

“Estamos prontos para ir a qualquer eleição, sozinhos, hoje, amanhã, em 27, em 28, e lá vamos com os nossos valores, com o nosso programa e com os nossos princípios”, avançou, garantindo que o CDS-PP irá a votos “sem medo, com coragem”.

No dia 18 de maio, o líder do PSD/Açores e presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, disse que a coligação com CDS-PP e PPM não anula a identidade de cada um dos partidos e reiterou que pretende cumprir o mandato.

“Eu fiz sempre a questão de afirmar, enquanto líder também da coligação, que a coligação não anula a identidade de cada um dos partidos. Fiz sempre por isso e, mesmo que alguns ficassem incomodados, eu nunca fiquei”, afirmou, em declarações aos jornalistas, à margem a uma visita ao Hospital da Ilha Terceira.

O líder regional social-democrata vincou que PSD, CDS-PP e PPM integraram “um projeto político alternativo e que gerou uma alternância nos Açores”, mas ressalvou que a coligação “não eliminou a autonomia de cada um dos partidos políticos”.

Bolieiro disse que o primeiro mandato “foi interrompido, porque alguns, erradamente, punham em causa a legitimidade democrática”, mas assegurou que tem intenção de cumprir o segundo mandato até ao fim.

“Os mandatos democráticos são de quatro anos e, portanto, o objetivo é cumprir. Se outros são responsáveis pela instabilidade, responderão por ela e por essa responsabilidade. Eu quero ser responsável por bem governar e pela estabilidade política e governativa”, frisou.

Leia Também: Líder do PS diz que Açores merecem “atenção especial” do poder político

Share.
Exit mobile version