Falando antes do encerramento do debate da moção de censura, o antigo secretário de Estado socialista começou por referir que leu esta manhã na comunicação social que o Governo PSD/CDS iria manter sem alterações a sua relação política com o partido de André Ventura, opção que caracterizou como sadomasoquismo.

Marcos Perestrello recorreu ao passado recente para dizer que o Chega apresentou uma moção de censura ao Governo PSD/CDS em 2025, “onde, aliás, tratou o primeiro-ministro abaixo de cão”. E passado poucos meses votou contra um Orçamento de Estado.

“Já em 2026, o Chega montou aqui, no Parlamento, um bailarico sobre a aprovação das leis laborais – e o PSD está ainda a rodopiar com o balanço desse bailarico. Agora, é mais uma moção de censura. Portanto, estamos perante quatro situações da maior gravidade. Á primeira, como diz o povo, caem todos; à segunda cai quem quer; à terceira já só cai quem é tolo; e quem cai à quarta é porque está a gostar”, defendeu.

Segundo Marcos Perestrello, ainda pode acontecer uma quinta vez com a revisão constitucional – “e é aí que começa a preocupação e já não tanto da diversão”.

“Diria que é o masoquismo político do PSD que alimenta o sadismo político do Chega. Enquanto esta relação sadomasoquista está só entre os dois, que são adultos maiores e vacinados, é lá um problema deles, não tenho nada a ver com isso, não quero saber disso. Mas o problema é que essa relação de diálogo que querem manter revela também um grande grau de irresponsabilidade da parte do PSD, não da parte do Chega, porque do Chega é aquilo que nós esperamos”, acrescentou.

Numa declaração posterior, o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, acusou o PS de “usar a mentira para fazer política” e, numa resposta direta a Marcos Perestrello, defendeu a legitimidade para concretizar uma revisão constitucional.

“Queremos rever [a Constituição] porque foi o povo português que quis uma maioria de direita no Parlamento”, afirmou.

Na parte final do debate, o ex-porta-voz do Livre, Rui Tavares, disse não pôr as mãos no fogo pelo ministro Luís Neves.

“Se o crime de Luís Neves fosse matar à queima-roupa um inocente com cara de suspeito, o Chega estava aqui para aplaudir; se o crime de Luís Neves fosse simulação de assalto ou mentiras no currículo, o Chega não estaria em condições de apresentar uma moção de censura. O crime de Luís Neves é não concordar com o Chega e não dizer o que o Chega quer ouvir sobre imigrantes e minorias”, advogou Rui Tavares.

E rematou: “Se houver alguém, se sobrar um partido para combater o Chega, esse partido será o Livre”.

Antes, a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, caracterizou a moção de censura ao Chega ao Governo como “uma encenação”, alegando que a política do partido de André Ventura “é ir mais longe e mais depressa do que a da AD”.

Já o líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mário Amorim Lopes, atacou o PS por se abster perante a moção de censura do Chega: “O PS é um lobo nas palavras e um carneiro nas ações”, disse.

Um dos mais duros ataques ao Governo partiu da antiga ministra socialista Mariana Vieira da Silva, que falou em “incapacidade e incompetência” em setores como a saúde, educação e habitação.

“Assistimos aqui a um jogo de espelhos. De um lado, a extrema-direita agarrada à polémica do dia, qualquer que ela seja, para esconder o vazio das suas propostas. Do outro, um Governo que tudo faz para prolongar essas polémicas e evitar que se discutam os seus falhanços na educação, na saúde, na habitação, no combate ao aumento do custo de vida”, sustentou.

A seguir, Mariana Vieira da Silva deixou um aviso: “Chegará o momento em que gerir os silêncios deixa de ser uma estratégia de comunicação. E é apenas e só incapacidade política”.

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