João Cotrim de Figueiredo, o terceiro candidato mais votado na primeira volta das eleições presidenciais de 2026, reiterou, esta terça-feira, que não vai votar em André Ventura na segunda volta, mas sublinhou que anunciar um apoio público a António José Seguro é dar ao candidato apoiado pelo Chega “aquilo que ele mais deseja”.
“Já tive ocasião de deixar claro em quem é que ia votar. Acho é que verbalizar isto da forma como tem vindo a ser feito, criando este autêntico desfile de apoios a um único candidato, está a dar a outro candidato aquilo que ele mais deseja: a característica de ser o único num determinado campo”, afirmou, em declarações à CNN Portugal.
Cotrim de Figueiredo defendeu que a “política portuguesa não precisa de pessoas que não são confiáveis”, nem de alguém que quer “reformar o sistema” e, por isso, “nunca votaria num candidato desses”.
“O que tem sido feito desde o aparecimento desse partido [Chega] é colocar esse candidato numa zona política em que ele é o único. Esse é um erro formal”, atirou.
O liberal defendeu, ainda, que a “única coisa que tem estancado o crescimento da extrema-direita em Portugal é a capacidade de comunicar diretamente com o mesmo eleitorado, com a mesma energia e a mesma modernidade” que André Ventura.
Cotrim Figueiredo sublinhou, contudo, que André Ventura “quer Portugal a andar para trás”, mas António José Seguro “quer Portugal parado”, considerando que os resultados da primeira volta das eleições presidenciais foram “uma escolha péssima para os portugueses”.
“As pessoas estavam a criar todas as condições para que a escolha fosse entre alguém que tem ideias completamente reacionárias e outro que tem ideias de deixar tudo na mesma e já disse que ia vetar a única reforma que o Governo apresentou”, reiterou.
“A escolha dos portugueses é estar parado e andar para trás. Eu, apesar de tudo, prefiro estar parado”, acrescentou Cotrim Figueiredo, frisando que “é uma coisa horrível” e, por isso, percebo “muito bem todos aqueles que vão votar em branco”.
Seguro e Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, a 8 de fevereiro, depois de, no domingo, terem conquistado 31,1% e 23,5% dos votos, respetivamente.
Sublinhe-se que a campanha para a segunda volta das eleições presidenciais inicia-se no dia seguinte à publicação do mapa oficial dos resultados ou, se até lá não for publicado, a 31 de janeiro.
O atual Presidente da República, eleito em 2016, é Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu mandato em março de 2026.
Desde 1976, foram Presidentes António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016).
António José Seguro e André Ventura vão estar hoje frente-a-frente naquele que será o único debate televisivo entre os dois candidatos à segunda volta das eleições presidenciais. O debate, que terá 75 minutos de duração, está marcado para as 20h30, com transmissão na RTP, SIC e TVI.









