A cantora Eden Golan, que, apesar dos protestos e críticas, representou Israel na 68.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, falou pela primeira vez sobre a sua experiência no concurso e admitiu ter enfrentado diversas dificuldades, incluindo ataques verbais.

“As pessoas podem pensar que não tenho sentimentos, pelo que viram em Malmö, mas isso não é verdade. Estava apenas concentrada num objetivo. Tudo o que vivi na minha vida preparou-me. Estava na Suécia para representar o meu país e parece que isso não vai acabar tão cedo”, disse aos meios de comunicação locais.

A cantora revelou que enfrentou muitas dificuldades no evento, incluindo vaias e gestos ofensivos, além de ataques verbais. No entanto, após sair do palco, sentia-se “segura”.

“Saí do palco e estava a tremer, nunca imaginei que isto fosse acontecer. Tentei transformar a energia negativa em amor. Não tive medo, senti-me segura. Toda a gente fez um trabalho fantástico para que eu me conseguisse concentrar e sentir calma”, acrescentou.

No início da semana, Eden Golan, de 20 anos, interpretou a música ‘Hurricane’ na sua versão original – ‘October Rain’ – durante um encontro com familiares de reféns israelitas, que estão em parte incerta desde o ataque de 7 de outubro. 

A letra de ‘October Rain’ [‘Chuva de Outubro, em Português’] não foi aprovada pela União Europeia de Radiodifusão (UER) por razões políticas. Segundo a imprensa israelita, continha os versos “já não há ar para respirar” e “eram todos bons miúdos, cada um deles”, numa aparente alusão aos jovens que foram mortos por militantes do grupo islamita Hamas num festival de música.

“É a primeira vez que canto depois de regressar da Eurovisão. Queria fazê-lo neste palco, nesta praça. Antes de mais, estamos à espera que todos os raptados regressem a casa, porque já não há tempo. Queria mesmo cantar ‘October Rain’ como uma oração minha para o mundo inteiro”, disse a jovem cantora, na altura.

A 68.ª edição do Festival Eurovisão da Canção realizou-se em Malmö, na Suécia, entre os dias 7 e 11 de maio e, apesar das críticas devido à participação de Israel, acabou por ganhar a Suíça, o país mais neutro do mundo, com Nemo e ‘The Code’.

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